A atual situação da Indústria BrasileiraVestuário, está um caos total, com frequentes quedas na produção e avanço dos fantasma do desemprego.
Há nesta história um grande vilão chamado "Custo Brasil", a elevada carga tributária, abusiva, paga pelo setor produtivo por conta da ineficiência dos governos Federal, Estaduais e Municipais com a indústria e o emprego brasileiros.
Este fato, o Governo tenta mascarar com algumas escaramuças fiscais, como exemplo o "Pró Emprego" de Santa Catarina, que incentiva a entrada de produtos importados, industrializados ou não, fazendo com que o volume de importação, a baixíssimo
custo, emperrem ainda mais alguns setores, dentre os quais – e principalmente o têxtil e vestuário.
Este setor, como também o de calçados, somente para citar mais um exemplo, é intensivos de mão de obra. No Brasil, somente o setor têxtil/vestuário representa quase 8 milhões de pessoas entre empregos diretos e indiretos, e o principal empregador de mão de obra feminina, mulheres que em sua maioria são arrimo de família, já que seus maridos e filhos perderam os empregos em outros setores industriais também afetados pela “política do boi-de-piranha”, quando sangram o vestuário no País para entrarem com produtos “mais lucrativos” em outros mercados.
Estes projetos "tampões" que o governo tem oferecido às "duras penas" servem tão somente para estancar a hemorragia momentaneamente. Mas que se não feitas seriam o desastre final.
Não nos esqueçamos que Estados Unidos e a Europa desprezaram estes setores em um determinado momento da história. Hoje não conseguem reativar suas economias rapidamente, pois estas indústrias NÃO EXISTEM MAIS.
Alie-se ao problema o "imediatismo" do consumidor brasileiro, que procura comprar qualquer coisa a preços mais baixo, seja importado, contrabandeado, ilegal, arriscando o futuro de seu próprio emprego.
Como a indústria nacional de confecção não está conseguindo provê-lo nesses preços – por conta dos encargos tributários -- se voltam aos produtos importados, a sua grande maioria chinês. Só que não percebem que em fazendo isto, indiscriminadamente, as empresas
nacionais irão fechar ou se transformar em meros importadores e todos perderão seus empregos.
Ao acontecer o fato (que já ocorreu em 2010), criamos 80.000 empregos. Em 2011 além de não criar, perdemos 15.000. E em 2012, é até difícil de dizer o que pode acontecer, mas tudo indica que estes consumidores não conseguirão de encaixar em outros setores na sua totalidade e deixarão de poder comprar até os mais baratos produtos chineses. Este é o ponto mais delicado da história, para não dizer penoso e doloroso.
Ou o Governo cuida de seu povo mantendo a indústria viva no Brasil, ou vai só vai conseguir votos para se reeleger na China, onde esta sendo o grande gerador de empregos e divisas para aquele país. Tal a história do cão que gira em torno de si mesmo, sem sair do lugar, e acaba mordendo o próprio rabo.
Por Ronald Masijah – presidente do Sindivestuário