Muitos são os desafios e dificuldades que as agências promocionais enfrentam no dia a dia para atender seus clientes e se manter no mercado. Muitas vezes, nós de agência, temos razão para reclamar de várias coisas que consideramos erradas, sejam no mercado, clientes, fornecedores, governo etc. Daí refletimos sobre como melhorar nossos processos e atender de forma mais eficaz nossos clientes.
Na certeza de que não há como abraçar o mundo, perguntei-me “por onde começar?” e cheguei a uma resposta recheada de obviedade, mas que senti necessidade de compartilhar com os leitores: “pelo começo”. Quando digo “começo” não estou falando genericamente, mas quero me ater ao início do processo do nosso trabalho, o briefing.
Costumo dizer que algo que começa certo pode terminar errado, mas algo que começa errado nunca vai terminar certo. Ou seja, no processo como um todo, o briefing tem uma importância desproporcional.
É bem verdade que briefings incompletos e levianos têm sido uma frequente no nosso mercado. Mas por que? E o que podemos fazer?
Vamos pensar pelo lado do cliente. Quando analisamos o cenário global em que os eventos externos inevitavelmente afetam o Brasil, não há como não entender que as grandes empresas buscam suas economias de escala e gerenciam seus negócios de maneira a sobreviver num mercado cada vez mais competitivo. Seus times de marketing e trade estão cada vez mais enxutos. Níveis intermediários da estrutura foram cortados. Os profissionais mais seniores acumulam novas responsabilidades. O tempo é escasso. É necessário vender mais. É preciso promover as vendas e trabalhar com agências que os ajudem neste sentido. Nesse contexto, o desenvolvimento dos briefings é muitas vezes considerado um detalhe do processo e que não deveria demandar muito tempo.
Nós sabemos que não é bem assim. Pelo contrário. Ganha-se muito tempo e qualidade de trabalho quando se investe um pouco mais de tempo na construção de um briefing adequado.
Está aí algo que devemos fazer. Lutar pelo briefing adequado. Sempre. Isso envolve, resumidamente, três etapas que estão nas nossas mãos.
A primeira é ter um time de atendimento que vá além de ser o contato com o cliente. Profissionais que pesquisem a fundo os clientes e seus mercados, que saibam ler nas entrelinhas, que antecipem cenários percebendo as necessidades promocionais antes mesmo de serem demandados.
A segunda é ter a habilidade de “arredondar” o briefing buscando informação, seja por pesquisa, seja através das perguntas certas ao cliente. E por fim, a terceira é demonstrar aos clientes, sempre que possível, a diferença de resultado em função de um briefing adequado.
Um briefing bom não é necessariamente um documento com muita informação, mas sim com o máximo de informação relevante. Advindo do termo “brief” do inglês, que significa “sumário”, “resumo”, quanto mais conciso e preciso for o briefing, melhor.
Temos grandes desafios no mercado promocional, mas tenho a convicção de que muitos dos problemas que reclamamos no nosso dia-a-dia deixam de existir quando garantimos aquilo que reitero ser o ponto mais importante de todo esse processo: começar direito.
Por: Ricardo Brener - sócio-diretor da Agita Brasil