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Vivemos em uma civilização das mídias. Atualmente, necessitamos de um contato diário com elas; seja para desempenhar nosso trabalho ou para a vida pessoal. Rádio, jornais, televisão, revistas e internet são produtos acessados diariamente para saber as condições do trânsito antes de sair de casa; a previsão do tempo para escolher a roupa, as resoluções políticas para visualizar oportunidades de negócio, a situação econômica para decidir rumos na empresa, as notícias da cidade para sabermos o que acontece ao nosso redor, os fatos policiais para nos proteger; os resultados esportivos para conversar com o porteiro e com os amigos na mesa de bar. Enfim, vivemos em um mundo onde a informação é parte integrante da nossa sobrevivência, e as mídias noticiosas são os meios de transmissão dessas informações.
Uma das características mais marcantes das mídias noticiosas é a sua temporalidade, que, em parte, é delimitada por seus aspectos físicos. Assim, se traçarmos uma linha de tempo, temos como a mídia mais imediata, o rádio. É esse veículo que primeiro transmite a informação, sendo necessário apenas um telefone para a transmissão da informação. Lembro-me que no início de minha carreira jornalística trabalhei como rádioescuta no jornal Última Hora no Rio de Janeiro. (A maioria dos jovens deve desconhecer essa função). Basicamente era o trabalho de um jornalista escutar o radio durante todo o expediente e anotar as últimas notícias para depois passar ao editor que resolvia quais as notícias que seriam importantes para serem apuradas.
Seguindo nossa linha do tempo, se ouvíssemos uma notícia no rádio e quiséssemos saber mais a respeito, ou pelo menos ver alguma imagem que nos esclarecesse melhor o assunto, procuraríamos os jornais noturnos da televisão. Caso quiséssemos saber, mais ainda, procuraríamos o jornal do dia seguinte, que traria uma imagem fotográfica que poderíamos ver com calma, identificando detalhes e um texto que traria mais informações sobre o assunto. A revista seria a última etapa desse percurso. Com temporalidade semanal ou mensal, a revista traz a notícia em forma de reportagem, ou seja, a informação dentro de um contexto, aprofundada e com análise.
Dessa forma, podemos dizer que quanto mais instantânea a informação mais concisa ela se apresenta ao receptor, começando pelo rádio, a TV que adiciona a imagem, o jornal com mais conteúdo e, finalmente a revista. Tudo muito bonito e delimitado. ...“Mas, professor, e a internet?” perguntou meu aluno de jornalismo, me deixando pensativo. Sim, a internet é uma mídia relativamente nova que ocupa um lugar importante na transmissão de informações e que a cada dia aumenta esse potencial. Onde inserir a internet? Qual a sua temporalidade?
A internet ocupa um espaço em toda a linha do tempo, pois, além de ser instantânea, – pode-se passar a informação por celular – ela também apresenta características de outras mídias como imagens fotográficas, vídeos e espaço para o desenvolvimento do assunto, inclusive com links para maior aprofundamento.
A internet bagunçou a temporalidade dos meios noticiosos e está fazendo com que as mídias reflitam suas diretrizes. Para vários de meus alunos a internet estaria dominando o cenário das comunicações e que as outras mídias estariam fadadas a desaparecer. Em minha opinião, isso não acontecerá, pois as mídias noticiosas possuem características únicas, mesmo que essas se modifiquem ou se sobreponham em certos aspectos. Por exemplo: hoje existem jornais que editam verdadeiras revistas semanais encartadas ou programas televisivos interativos com a participação dos telespectadores como acontece no rádio. Mas o fator mais importante para a existência das mídias noticiosas tradicionais é a credibilidade. Em um jornal, rádio, televisão ou revista sabe-se exatamente quem está transmitindo a informação. Existe a figura do jornalista e do editor que se responsabiliza, em última instância. Na internet, de uma maneira geral, todos podem criar conteúdos e transmiti-los, deixando essa mídia por um lado democrática, porém, por outro, ainda duvidosa quanto à sua credibilida
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