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Revista Making Of - Comunicação, Propaganda, Marketing, Entretenimento, Cultura, Eventos, Vaga de Emprego e Web em Santa Catarina Geraldo Rossi
Jornalista, fotógrafo,mestre em design gráfico diretor da Garja Comunicação
contato@geraldorossi.com.br
 
Antigas e novas tecnologias na fotografia
14/07/2009
 
Resolvi atualizar meu site, colocar novos trabalhos e meu banco de imagens com mais de vinte mil fotos em cromo (acho que terei que explicar para os mais jovens: cromo é o mesmo que slide, aqueles filmes positivos). Para quem não está habituado com esse suporte, é bom saber que os cromos apresentavam uma qualidade muito superior aos negativos. Eram usados para trabalhos publicados em revistas, catálogos, outdoor e tudo que necessitava de alta qualidade.

Muitos de meus cromos já estavam digitalizados em decorrência de trabalhos, mas havia uma infinidade ainda para serem scanneados. Assim, depois de muito tempo, mergulhei em meu arquivo de pastas e cartelas de plástico. Parecia estar voltando ao passado ao mexer nas fotografias ali presentes fisicamente. Hoje é tudo digital, virtual, não tocamos mais nas imagens, apenas visualizamos. Como havia alguns cromos sem moldura, decidi entrar definitivamente no túnel do tempo e voltar uns 10 anos: coloquei minhas luvas de tecido brancas, já amareladas por causa do tempo, catei uma tesoura e comecei a cortar os cromos. Isso me pareceu incrível, inacreditável, muito muito antigo. Dá para imaginar hoje em dia, cortar com a tesoura uma imagem? Antigamente fazíamos isso com agilidade, sem maiores preocupações, mas agora era diferente, desacostumado com a posição e o ângulo certo do corte, fiz barbeiragem e cortei algumas imagens...

Comecei a pensar no que aquela falha significava e parecia que tudo era muito irreal para os parâmetros atuais. Ou seja, aquelas imagens, que não irão se repetir, tiradas em um local longínquo, que talvez eu nunca mais retorne, tinham sido mutiladas para sempre por uma tesoura. E tem mais, quando saíamos para fazer reportagens em lugares distantes, tínhamos que nos munir de alguns rolos de cromo, que eram caríssimos. Assim batíamos as fotos com muita economia, esperávamos horas e algumas vezes dias pelo momento certo com a luz adequada. Mas o pior era bater as fotos e não saber se tinham saído boas. Tínhamos que voltar para casa, revelar e somente depois ver o resultado. Penso que antigamente o fotógrafo tinha que ser bom mesmo, se garantir, porque não havia segunda chance.

Que diferença de atualmente! Hoje não precisamos comprar rolos de cromos, podemos bater fotos sem preocupação de gastos e de quantidade. Um chip de 1G permite armazenar dezenas de fotos em alta definição. E podemos ter vários chips... E ainda podemos visualizar a imagem no momento em que batemos. Não precisamos aguardar a revelação, o retorno para casa. Tudo na hora, a cores. E se isso não bastasse, anda temos o Photoshop, esse maravilhoso programa de edição de imagens que nos permite melhorar a iluminação, aplicar filtros (que antes tinha que ser posto na lente), colocar mais cor etc. Hoje não precisamos mais esperar horas e dias para uma iluminação ideal, já que a manipulação no Photoshop pode fazer isso.

Não quero dizer com isso que o Photoshop possa transformar uma foto ruim, com uma péssima composição ou iluminação em uma boa imagem. Não, o programa ainda não faz milagres! Mas não há dúvida que a tecnologia facilitou a vida dos fotógrafos e dos amadores, que com esses avanços tem a capacidade de baterem fotos de alta qualidade. Não é de se espantar a quantidade de fotógrafos existentes hoje, aliás parece que todos que possuem uma máquina digital se auto-intitulam fotógrafos.

Pode-se dizer que uma das causas do predomínio das imagens no ambiente urbano deve-se ao desenvolvimento tecnológico que facilitou a captação e a reprodução das fotografias. Hoje as imagens estão por toda parte. Não se admite mais, por exemplo, páginas de jornal e revistas sem imagem. Atualmente os editores quando pensam em alguma pauta devem pensar antes nas imagens que podem entrar.

Mas voltando ao nosso assunto, após colocar os cromos, que não foram mutilados nas molduras de plásticos, usando minhas luvas quase brancas, iniciei a digitalização. Em algumas horas já possuía um bom número de imagens na minha tela. Que maravilha, pensei, agora essas imagens estão imunes às mutilações de tesouras, arranhões, fungos e outras pragas. Enfim, tinha voltado do túnel do tempo e agora me deliciava com a tecnologia. Entrei no Photoshop, calibrei as cores, o brilho, o contraste. As imagens ficaram ainda melhores, que maravilha! Desliguei o computador e fui dormir feliz por estar vivendo nos dias de hoje e aproveitando tantas facilidades.

No dia seguinte bem cedo, animado em poder digitalizar todos os cromos e depois me deliciar com os aplicativos do Phooshop, liguei o computador e para minha surpresa o meu HD não apareceu!!! Mexi em vários aplicativos e nada. Ele simplesmente desapareceu sem deixar pistas. Ou seja, perdi todas as imagens que tinha digitalizado recentemente (as antigas possuíam backup em cd, mas será que vão abrir?). Percebi então que apesar de tantas facilidades que a tecnologia proporcionava, ela continuava sendo muito vulnerável, como os fungos e os arranhões no cromo.
 

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COMENTÁRIOS
Elisa Kondrasovas em 16/07/2009 comentou:
Qualquer um com uma câmera na mão é um fotógrafo. Se ele é um bom ou mau fotógrafo, é outro mérito da questão.
E isso é maravilhoso! Muitos fotógrafos de corroem por dentro ao ver garotos de 19 anos com um portifólio considerável em baixo do braço e um equipamento nas mãos. Eu já considero isso uma evolução. É lindo ver como a tecnologia das cameras digitais deu acesso à uma área antes super elitizada. Afinal, comprar rolos de cromo, não era pra qualquer um.
Hoje, podemos ver a grande acuidade visual e criatividade que os jovens possuem.
Eu quero é mais!


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