Geraldo Rossi
Jornalista, fotógrafo,mestre em design gráfico diretor da Garja Comunicação contato@geraldorossi.com.br
Quando a linguagem visual é fundamental
17/09/2009
Nas viagens internacionais pode-se perceber a importância da linguagem visual, principalmente quando não dominamos a língua do país. Criamos uma dependência com aquilo que vemos e com o que nossa mente é capaz de compreender. Nosso sentido visual fica mais alerta aos acontecimentos e detalhes.
Quando criança, antes de ler, escrever e saber o significado de grande número de palavras, utilizávamos a linguagem visual para desvendar o mundo e nos expressar. Nessa época, temos pouco conhecimento dessa linguagem e a usamos de forma inconsciente. Ao crescemos, trocamos essa linguagem pela verbal e deixamos de analisar o que a realidade nos transmite através de sua visualização. Através do olhar temos a percepção imediata, dinâmica e abrangente do que nos rodeia, mas a riqueza e a verdadeira compreensão estão no entendimento dos detalhes.
Voltei recentemente de uma viagem à Patagônia argentina. Não posso dizer que o idioma me era irreconhecível, mas não compreendia por completo e, além do mais, não queria estar sempre pedindo explicações. Assim, na condição de turista estrangeiro comecei a praticar a compreensão da linguagem visual do país.
É nessas situações que se percebe a importância da linguagem visual para os turistas e mesmo para os habitantes do lugar. Por exemplo, na hora de fazer alguma refeição, se não temos indicação, procuramos caminhando e olhando a aparência dos restaurantes. Nesse momento, a apresentação do estabelecimento é fundamental, não só de seu espaço físico, mas de seu logotipo na fachada, de seu cardápio que deve ser atraente e claro e das indicações colocadas a disposição do público. Restaurantes com placas desleixadas e cardápios confusos nas portas são descartados no primeiro momento.
Essa apresentação visual dos restaurantes funciona para qualquer estabelecimento comercial. Pode estar localizado na rua principal, mas se a linguagem visual for mal trabalhada, passando uma mensagem dúbia, vai afugentar o cliente. A linguagem visual é transmitida direta e instantaneamente, por isso deve ser produzida com cuidado e objetividade. Mesmo que o cliente não compreenda a língua, o tipo de letra usado no logotipo, no cardápio, nas placas e folhetos de divulgação transmitirão mensagens importantes. Assim também funciona com as cores utilizadas.
A cor é uma poderosa ferramenta na linguagem visual. Apesar de seu significado depender da cultura onde está inserida, no ocidente existe uma padronização que funciona razoavelmente bem. Nas pistas de esqui, por exemplo, as cores são usadas para demonstrar a dificuldade. Assim a verde é a mais fácil, seguida da azul, vermelha e preta. Uma ordem lógica, pois o verde transmite algo agradável, o azul também, mas com mais seriedade, o vermelho já chama a atenção e o preto é quase proibitivo. Essas cores estão sinalizadas em todas as pistas e lifts, orientando com rapidez o esportista. Outra identificação feita através das cores nas pistas de esqui é a do sexo dos praticantes que estão cobertos da cabeça aos pés por roupas, tocas, óculos e botas. Nesses casos, a cor e a estampa da roupa são as únicas indicações para a diferenciação.
Essa relação de dependência da linguagem visual é deixada de lado quando retornamos das viagens. Podemos relaxar e deixar todo o entendimento para a linguagem verbal, que por seu uso contínuo, parece mais simples e fácil. No entanto, é bom lembrar que sempre estamos utilizando da visão para codificar a realidade, mesmo inconscientemente.
Vivemos em uma civilização das mídias. Atualmente, necessitamos de um contato diário com elas; seja para desempenhar nosso trabalho ou para a vida pessoal.
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