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Revista Making Of - Comunicação, Propaganda, Marketing, Entretenimento, Cultura, Eventos, Vaga de Emprego e Web em Santa Catarina Geraldo Rossi
Jornalista, fotógrafo,mestre em design gráfico diretor da Garja Comunicação
contato@geraldorossi.com.br
 
Ousadia para combater a mediocridade
29/10/2009
 

Quando leio uma biografia aprecio, principalmente, o início da carreira do personagem. Interesso-me como esse começou profissionalmente, quais foram os caminhos escolhidos e de que maneira encarou a vida adulta. Acho que isso acontece pela minha preocupação em mostrar aos meus alunos da faculdade como as decisões nessa época são importantes e como se deve estar atento às oportunidades.

Comecei a ler a biografia de Assis Chateaubriand por indicação de Carlos Ferreira, diretor da faculdade SATC. Admito que bem atrasado, já que a primeira edição foi lançada em 1994, mas os bons livros biográficos nunca ficam velhos. O que é sem dúvida o caso de Chatô, o Rei do Brasil de Fernando Moraes. O calhamaço de 700 páginas amedronta à primeira vista, mas o texto agradável e cativante faz esquecer o pesado volume que as mãos têm que sustentar.

Não pretendo me deter aqui nas posições políticas adotadas por Chatô, nem por seus estratagemas, esquisitices e gostos suntuosos. Até porque discordo em muitos pontos. Meu interesse, como já mencionei, são as ações, as opções adotadas por esse homem em sua adolescência e início de carreira. O que impressionada, logo de início, é que Assis Chateaubriand custou a começar a falar “e a dificuldade que tinha para pronunciar uma frase inteira provocava risos nos adultos”. Além da gagueira que o acompanhou até o início da adolescência, Chatô ainda era feio e raquítico, características que o atemorizavam.

No início dos estudos Assis Chateaubriand pouco se interessava pelas matérias escolares, no entanto, devorava jornais, participava de grupos de literatos e aprendia alemão com amigos frades. Apaixonou-se pela língua alemã e lia com avidez originais de Goethe, Schiller e Nietzsche. Apesar de sua família possuir sobrenomes pomposos e importantes no cenário nordestino, seus pais nunca tiveram uma boa situação financeira, o que forçou Assis Chateaubriand começar a trabalhar em uma loja de tecidos aos 12 anos.

A simpatia pelo jornalismo nasceu quando do balcão da loja de tecidos observava a redação e as oficinas do Jornal Pequeno em Recife. Nessa época, também floresceu em Chatô uma das características que mais o marcaria em sua carreira: a ousadia. Foi com essa qualidade que aos 15 anos de idade o adolescente foi pedir emprego na redação. Mas a ousadia de Chatô não era imprudente, nem na adolescência quando é muito normal. Quando colocava alguma idéia nova em sua cabeça, e isso era bem comum, ele sabia muito bem o que poderia esperar. Quando entrava na luta por algo, tinha convicção, fruto de muita leitura e estudo da situação.

Além da ousadia e da convicção, Chatô era obstinado pelo trabalho, preferindo esse às festas e boemias. Outra de suas atitudes que o colocava em destaque era estar sempre atento ao que acontecia no centro do país, no caso o Rio de janeiro na época distrito federal e a emergente São Paulo. Chatô devorava os jornais destas cidades que chegavam à Recife e participava das discussões nacionais escrevendo artigos. Assis Chateaubriand também observava atentamente o cenário internacional e talvez isso o tenha deixado com o ímpeto de inovar, o qual carregou por toda vida. No início de sua carreira jornalística, participou de uma grande inovação na imprensa: foi o primeiro correspondente a viajar a Europa entrevistando personalidades para um jornal brasileiro. Foram a partir dessas qualidades que o “Rei do Brasil”, relacionou-se estrategicamente com personalidades brasileiras e estrangeiras para buscar seus objetivos.

A partir desse exemplo, e de tantos outros, percebe-se que não é necessário dinheiro ou status social para começar uma carreira de sucesso. No caso de Chatô, observa-se um gago transformar-se em um excepcional orador, um pernambucano da zona da mata em uma celebridade internacional, um balconista de loja em um dos homens mais influentes do Brasil. Não há desculpa para o marasmo, para a permanência na mediocridade e na ignorância. Todos temos condições de crescer profissionalmente, basta desenvolver qualidades positivas de nossa personalidade, pois só assim, as oportunidades poderão ser percebidas e aproveitadas
 

 

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