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Revista Making Of - Comunicação, Propaganda, Marketing, Entretenimento, Cultura, Eventos, Vaga de Emprego e Web em Santa Catarina Geraldo Rossi
Jornalista, fotógrafo,mestre em design gráfico diretor da Garja Comunicação
contato@geraldorossi.com.br
 
Empreendedorismo em Comunicação: uma saída em tempo de crise II
21/04/2009
 
No artigo do início do mês, escrevi sobre o panorama e as oportunidades do empreendedorismo em comunicação. Volto ao tema, porque nessa semana aconteceu algo relacionado ao tema perto de mim.

Uma conhecida inaugurou ano passado um cyber café no bairro. Logo de início, achei muito suspeito a identidade visual do estabelecimento e me atrevi a pensar que com aquela comunicação o fracasso era certo. Pensei que até iria durar mais, mas em tempo de crise, os negócios que não possuem uma boa comunicação, tendem a acabar mais cedo. Nos últimos anos, quando o mundo todo estava crescendo economicamente, era mais fácil abrir um negócio sem pensar em estratégias de comunicação. Estávamos em uma franca expansão e qualquer plaquinha pendurada na porta podia atrair fregueses. Hoje é diferente.

Pois bem, logo que minha conhecida abriu o cyber e vi aquela desconexão entre o que era o negócio e o que estava sendo transmitido, pensei em falar com ela e dizer tudo aquilo que falei no artigo anterior. Mas no caso dela, não era falta de identidade visual. Existia uma identidade e percebia-se que essa havia sido pensada, elaborada. Não sei se pela proprietária, pelo fabricante de placas ou pelo sobrinho que gosta de desenhar.

Para começar, o cyber localizava-se longe da visão de quem trafega de carro. Por isso, o mais sensato seria colocar uma placa grande e visível. Essa foi colocada, mas em forma de toten na calçada e num formato bem pequeno, o que permitia apenas ser visualizada por pedestre, o que, diga-se de passagem, inexistia no local. A situação piorava quando tentava-se ler a placa, escrita toda com letras de estilo caligráfico. Além de não ser legível, as letras não tinham nada a haver com o tipo de negócio! Letras com estilo caligráfico sugerem algo tradicional, antigo, informal, nada que pudesse se relacionar com cyber café que é moderno, digital, virtual.

Para piorar, a cor escolhida foi o lilás! Eu sempre me perguntava: o que o lilás tem haver com um cyber café? É uma cor bonita, espiritual, serena, mas não convém a um cyber café. O lilás pode ser usado em escolas de yoga, estéticas ou salões de beleza. Com essa colocação não estou criando um reducionismo na usabilidade das cores. É que cada cultura atribui significados às cores e se existe a necessidade de transmitir uma mensagem, deve-se fazer com os códigos utilizados pelos receptores dessa cultura.

Chama-se a isso relação semântica, ou seja, quando a cor informa sobre inúmeros fatos antes de ter-se lido o conteúdo. Dessa forma, as cores podem gerar ações positivas ou negativas. As ações positivas se dão quando as cores antecipam a informação, direcionando a interpretação e intensificando o teor da mensagem. Já a ação negativa pode ser a dissociação, quando o contexto da cor é contraditório à mensagem, como ocorrido no caso do cyber café.

No final das contas, acho eu deveria ter tentado falar com a proprietária, ter mostrado a desinformação que estava sendo transmitida, a ineficiência da identidade visual. Mesmo sabendo que ela diria que já estava tudo feito, que não teria dinheiro para fazer novamente, que achava bonito. Ficaria chateada e falaria mal de mim depois que eu saísse. Mas pelo menos agora teria aprendido uma lição e eu não estaria pensando se deveria ou não ter falado.
 

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