Geraldo Rossi
Jornalista, fotógrafo,mestre em design gráfico diretor da Garja Comunicação contato@geraldorossi.com.br
Diversidade carioca
21/04/2009
Fui para o Rio nesse carnaval. Antes que me perguntem, já vou responder: não fui à Sapucaí e nem fui assaltado. Aliás, não vi nada de violência e nem briga, apesar de todos os cariocas afirmarem que a cidade está violentíssima. A viagem tinha motivo familiar e o carnaval que procurei foi o de rua.
Deve ser por sua história, desde sua fundação aberta às influências externas, que o Rio é tão diversificado em sua forma de se expressar. E até hoje a cidade continua sendo a porta de entrada de estrangeiros no Brasil e ponto de referência cultural nacional e internacional. No carnaval percebe-se bem esses dois pontos: muitos estrangeiros e uma enorme diversidade sonora.
Para se ter uma idéia, todas as ruas de Copacabana que desembocam na beira-mar (Av. Atlântica) tinham uma banda. As músicas eram, em sua maioria, aquelas antigas marchinhas de carnaval mescladas com Jorge Bem, Tim Maia e sambas enredo; mas também havia lugar para a MPB e para o funk. A diversidade não parava por aí, em outras ruas podia-se encontrar bandas de eletrônico em ritmo de samba, bossa nova, trio elétrico, música andina, axé entre outros estilos. Essa oferta variada e gratuita me impressionou bastante.
Outro ponto que me impressionou, puxando para o assunto dessa coluna, foi a comunicação das grandes marcas com o público. Não se vê mais na cidade, pelo menos na zona sul, outdoor, que, se por um lado me deixa triste por gostar dessa mídia onde se divulga em grande formato causando impacto, por outro, a cidade parece ficar mais limpa visualmente. As grandes marcas para continuarem sua comunicação com o público estão atrelando-se a serviços ou a outros negócios que possuem visibilidade. Alguns exemplos são os painéis de jato de água colocados no calçadão da praia que refrescam os banhistas e que tem seus lados com propaganda; os antigos e sujos quiosques que estão sendo substituídos por outros mais modernos, e que agora ganham marcas como das cervejas Brahma e Itaipava e da Coca Cola. Obviamente não vendem só essas bebidas, mas estão ali principalmente para mostrar sua marca em um dos mais importantes pedaços de areia do mundo. Quanto vale um logotipo piscando em frente ao Copacabana Palace? Outro exemplo é a roda da Skol, uma enorme roda gigante localizada no Forte de Copacabana que é vista de qualquer lugar da praia de Copacabana.
São formas de comunicação com o público que não apenas emitem uma mensagem, mas que também trazem um serviço acoplado. São formas diversificadas de comunicação que saem da rotina, que podem dar mais trabalho em sua produção, mas que também proporcionam um retorno diferenciado. Devemos pensar cada vez mais nessa diversidade de comunicação, não só porque o público atualmente participa de nichos mais específicos, mas também porque a criatividade na comunicação é o grande atrativo e nada melhor do que unir a isso algum serviço.
Vivemos em uma civilização das mídias. Atualmente, necessitamos de um contato diário com elas; seja para desempenhar nosso trabalho ou para a vida pessoal.
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